Mitos metabólicos

Pessoas magras têm metabolismos mais acelerados: Mito

Geralmente, o oposto é verdadeiro: quanto maior a pessoa, mais calorias precisa de queimar por dia apenas para manter o corpo a funcionar. Mas pode haver algumas exceções. Mutações num gene chamado KRS2, que reduzem a capacidade das células para metabolizar glicose e ácidos gordos para fornecer energia, são duas vezes mais comum em pessoas obesas do que magras. No entanto, são raros.

Ganho de peso com meia-idade é inevitável: Talvez

O envelhecimento desencadeia alterações hormonais nos homens e nas mulheres, e estas podem influenciar a sua predisposição para o ganho de peso. A redução dos níveis de testosterona nos homens reduz a massa muscular, o que por sua vez diminui o ritmo metabólico geral, enquanto as mudanças no equilíbrio das hormonas femininas como o estrogénio pode aumentar o apetite e pode abrandar o metabolismo. Mas o ganho de peso não é inevitável se a pessoa permanecer ativa e comer um pouco menos com a idade.

Pessoas magras digerem menos comida: Mito

Quando Claude Bouchard do Centro de Pesquisa Biomédica de Pennington em Baton Rouge, Louisiana, comparou fezes de pessoas, encontrou apenas uma pequena diferença no seu teor energético, independentemente de como estavam predispostos a ganhar peso. Normalmente, cerca de 3 por cento das calorias consumidas são excretados na matéria fecal, diz ele. “Tal não evita alimentação em excesso.”

Baixar a temperatura para perder peso: Talvez

Nem toda gordura é igual. Os bebés nascem com grandes depósitos de gordura castanha, que realmente queima ácidos gordos para gerar calor. Pensava-se que os adultos não tinham nenhuma, mas agora sabemos que adultos magros têm alguma. Voluntários expostos a temperaturas de 15°C durante 6 horas por dia, durante 10 dias, vestidos apenas com calções e t-shirts apresentaram aumento de gordura castanha.

O sono pode torná-lo(a) mais magro(a): Talvez

Pensa-se que a privação do sono provoca-nos mais fome do que de costume. Parece haver várias razões para isso. Diminui os níveis de leptina, a “hormona da saciedade”; aumenta a grelina, o “hormona da fome”; e prejudica a libertação normal de insulina. No entanto, dormir muito também aumenta o risco de obesidade.

Fazer dieta permanentemente reduz o ritmo metabólico: Mito

Fazer dieta vai reduzir o ritmo metabólico. Na verdade, o próprio ato de comer aumenta-o, através da liberação de uma hormona chamada oxintomodulina. No entanto, há pouca evidência de que uma pessoa recupere inevitavelmente todo o peso que perdeu, devido a uma dieta constante que diminua o metabolismo. Na verdade, pessoas que fazem dieta ocasionalmente e as que perdem peso mais lentamente voltam a ganhar a mesma quantia.

Continuamos a queimar calorias após o exercício: Verdade

Depois de fazermos exercício o metabolismo eleva-se enquanto o corpo recupera e se repara. Este efeito (vulgarmente chamado “afterburn”) dura entre 3 e 24 horas, dependendo da duração e intensidade do esforço efetuado. O efeito tende a durar mais tempo no caso de exercícios anaeróbicos, como o treino com pesos do que exercícios aeróbicos, mas é muito pequeno e desaparece com o tempo.

Fazer exercício com o estômago vazio para queimar mais gordura: Talvez

“Se comer antes do treino, terá um pouco mais de glicose, o que pode significar que pode fazer um treino mais intenso”, diz Michael Ormsbee da Florida State University. “Mas se o fizer em jejum, provavelmente vai queimar gordura mais rápido – embora possa não ser capaz de manter o mesmo nível de intensidade.” Ele recomenda uma combinação de ambas as estratégias.

Os suplementos nutricionais podem aumentar o ritmo metabólico: Talvez

Muitos suplementos nutricionais são apregoados por fanáticos do fitness como uma maneira de impulsionar o metabolismo. Muito provavelmente não funcionam. Há alguma evidência de que a cafeína, a creatina, o sumo de beterraba e o óleo de peixe podem ter algum efeito sobre o desempenho atlético, diz Michael Ormsbee da Florida State University, mas é provável que seja pequeno, será mais eficaz melhorar a sua dieta regular do que tomar suplementos.

Comer mais frequentemente aumenta o metabolismo: Mito

Enquanto comer temporariamente aumenta o ritmo metabólico, também afeta a resposta do corpo à insulina – a hormona que regula os níveis de glicose no sangue. Num estudo recente, homens foram alimentados com a mesma dieta, seja com 3 refeições ou 14 mini refeições. Aqueles que comeram menos frequentemente tiveram ritmos metabólicos mais elevados, menos fome e um melhor controlo da glicose no sangue.

Alguns alimentos emagrecem ativamente: Talvez

Ao contrário da crença popular, a cafeína no café e chá verde não vai aumentar o ritmo a que o corpo consegue queimar gordura durante o exercício, mas pode reduzir a sua perceção à dor e ao esforço, permitindo fazer exercício durante mais tempo. A capsaicina – a substância que dá ao picante o seu calor – pode aumentar o gasto de energia, aumentando a atividade de gordura castanha. Uma substância na toranja parece melhorar a resposta do corpo à insulina. E um estudo recente sugere que a fibra suprime o apetite.

Comer gordura para queimar mais gordura: Mito

Numa análise de 10 estudos encontrou-se pouca diferença no ritmo metabólico geral das pessoas, independentemente de fazerem uma dieta com alto teor de gordura, baixa em hidratos de carbono – como a dieta Atkins – ou um baixo teor de gordura e alto teor de hidratos de carbono. Porém, as proteínas podem fazer a diferença. Pessoas que fizeram uma dieta altamente rica em proteínas, e reduzida em hidratos de carbono queimaram entre 60 a 120 calorias extra por dia, possivelmente porque a proteína requer mais energia para digerir do que os hidratos de carbono refinados. Também se pensa que as proteínas aumentam a sensação de saciedade.

Comer à noite faz engorda: Talvez

“Se quer comer açúcar ou hidratos de carbono é provavelmente melhor fazê-lo na parte da manhã, porque a sensibilidade à insulina é melhor nessa altura”, diz Karine Spiegel, do Centro de Pesquisa em Neurociências de Lyon, França. “Se comer durante a noite é mais provável que vá armazená-los como gordura.” Isso pode ajudar a explicar a descoberta de que um pequeno-almoço altamente calórico e um jantar com baixo teor calórico produziu maior perda de peso do que um pequeno pequeno-almoço e um grande jantar.

É necessário “sentir o ardor” para se obter resultados: Mito

Correr a 6 km/h queima exatamente o mesmo número de calorias que uma caminhada a 6 km/h. O que realmente importa é a duração. Digamos que uma pessoa de 73 kg queima 74 calorias por quilómetro a correr a 11 km/h e 52 calorias por quilómetro a andar a metade dessa velocidade. Ao caminhar 2 km, vai queimar 30 calorias a mais do que se tivesse corrido 1 km.

 

Fonte: Revista New Scientist

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